São Paulo, 27 de março de 2009
Dan Warmenhoven, executivo-chefe da NetApp: "As empresas estão em busca de tecnologias que reduzam custos"
A americana NetApp, fabricante de equipamentos para armazenagem de dados, analisa a possibilidade de iniciar a produção no Brasil. A fabricação local é vista como uma alternativa para ampliar sua participação de mercado no país. Hoje, segundo a consultoria IDC, a NetApp tem 8% do mercado brasileiro de redes de armazenamento (SAN, na sigla em inglês), uma divisão específica desse setor. Essa fatia lhe dá a quinta posição, atrás da IBM, EMC, Hitachi Data Systems (HDS) e Hewlett-Packard (HP). Mundialmente, a NetApp é a segunda do ranking, com 24% de mercado, atrás apenas da EMC, que lidera o setor com 43,8%.
"O Brasil tem um dos impostos mais altos do mundo, mas estamos avaliando essa possibilidade [de produzir no país] devido ao porte local do mercado", disse ao Valor Dan Warmenhoven, executivo-chefe da companhia, que nesta semana visita clientes brasileiros.
Fundada em 1992, na Califórnia, a NetApp (originalmente conhecida como Network Appliance) abriu seu escritório no Brasil há dez anos. Atualmente, seus principais concorrentes - multinacionais como Dell, EMC, HP e IBM - já possuem base fabril no país. A subsidiária brasileira da NetApp, com cerca de 20 funcionários, se apoia na importação de produtos e revendas especializadas para disputar o mercado.
A aposta em países como o Brasil pode ser um movimento para lidar com o enfraquecimento global do mercado de tecnologia - principalmente nos Estados Unidos - o que mexeu fortemente com as operações da NetApp. Mas Warmenhoven diz estar tranquilo. Com 15 anos de NetApp no currículo, o executivo afirma que o momento pode até ser promissor para o mercado de armazenamento. "As empresas estão em busca de tecnologias que reduzam seus custos e que aprimorem o uso daquilo que elas já têm", disse. "Essa demanda tem um efeito positivo na oferta de serviços e alternativas que melhorem a estrutura de armazenamento de dados."
O histórico de Warmenhoven joga a seu favor. Em 1995, quando chegou à empresa, a NetApp era uma operação tímida, cujas vendas não ultrapassavam US$ 15 milhões. No ano fiscal 2008, encerrado em abril do ano passado, o faturamento chegou a US$ 3,3 bilhões.
Em janeiro, a companhia conseguiu arrancar das mãos do Google o título de melhor empresa para se trabalhar nos Estados Unidos. Há dois anos a lista das 100 melhores empresas divulgada anualmente pela revista Fortune trazia o serviço de busca na primeira posição. Neste ano, a NetApp, com seus 8 mil funcionários, foi reconhecida pela revista por oferecer uma cultura de igualdade baseada em boas práticas de gestão. De primeiro lugar, o Google passou para a quarta colocação, atrás da consultoria financeira Edward Jones e da consultoria administrativa Boston Consulting. "Eu esperava que nosso trabalho fosse reconhecido, mas confesso que fiquei surpreso com o primeiro lugar", disse o executivo.
Mas nem tudo é razão para comemorar. Como muitas companhias de tecnologia, a NetApp tem visto suas operações encolherem. Em seu terceiro trimestre fiscal, encerrado em janeiro, a companhia teve prejuízo de US$ 75,4 milhões. Foi um dos piores resultados já registrados desde sua fundação. A última ocasião em que as operações ficaram no vermelho ocorreu em outubro de 2001, em plena ressaca da bolha da internet. O preço de mercado da empresa também sentiu o baque. Em dezembro de 2006, a NetApp valia US$ 14,76 bilhões. Um ano depois seu preço caiu para US$ 8,6 bilhões. Hoje, ela está avaliada em US$ 5,2 bilhões.
A desvalorização da companhia acabou por colocá-la no alvo de possíveis aquisições por companhias maiores. Na semana passada, analistas do banco Credit Suisse chegaram a enviar um relatório a seus clientes comentando que a NetApp e a EMC estavam na lista de companhias que poderiam ser compradas. Nesta semana, foi a vez da Sun Microsystems, que já estaria em negociações avançadas para ser adquirida pela IBM. "Nós estamos acostumados a ser alvo desse tipo de notícia", comentou Warmenhoven. "Mas a realidade é que não existe nenhuma negociação, isso é só especulação."
A queda de demanda também mexeu com o salário de Warmenhoven. No ano fiscal 2008, o executivo recebeu uma compensação total - que inclui salário, bônus e ações - de US$ 4,9 milhões, 29% a menos que no ano anterior. Para combater a retração do mercado, Warmenhoven contratou no fim do ano 500 profissionais para reforçar seu time de vendas. Em contrapartida, no mês passado a empresa anunciou o corte de 540 funcionários, nenhum deles ligado à área comercial.
Entre tantas decisões, Warmenhoven ainda encontra tempo para se divertir. No mês passado, ele entrou em seu jatinho particular e voou com a esposa para o Rio, onde "pulou" cinco noites de Carnaval. "É uma ótima ocasião para fazer contatos", afirmou.
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